Um pouco mais sobre a vida nada mole no Brasil de 1700


Não havia partilha da herança entre irmãos. No Brasil de 1700 vigorava o regime do morgadio: todos os bens – terras, escravos, animais, títulos – eram herdados apenas pelo filho mais velho. O varão. O que sobrava para os outros? O segundo filho era mandado para estudar leis em alguma faculdade em Portugal, quase sempre Coimbra. Quando voltasse poderia ser advogado ou descolar algum emprego no serviço público. E se houvesse um terceiro filho? Bem, para o caçula sobrava a carreira religiosa. Tendo vocação ou não, a regra era ser despachado para algum seminário e ordenado padre. Assim, as famílias garantiam presença nos pilares que mantinham a sociedade da época: e economia, a burocracia e a Igreja. Simples assim.

Se você fala português hoje, agradeça ao Marques de Pombal, todo-poderoso ministro do Rei Dom José I.  O nheengatu - uma mistura de português e tupi muito utilizada pelos jesuítas para catequisar os índios - era a língua mais falada. Até que Pombal – o mesmo que é execrado por ter usado o ouro das minas brasileiras para reconstruir Lisboa após o terremoto de 1755 - proibiu por decreto o ensino do nheengatu. Então, antes de odiar de antemão os tais déspotas esclarecidos do nosso 2º grau, agradeça ao menos pela língua que falamos.

A comida era um capitulo à parte. Nosso baião-de-dois demorou a aparecer. O motivo: O arroz veio da Ásia e seu cultivo não havia sido difundido em 1700. O mesmo pode ser dito da farinha de trigo. Nada de pães, bolos e outros pratos feitos de trigo. O substituto era o milho, a batata e a mandioca, menos saborosos, mas abundantes. Carne, principalmente de porco (que se deu muito bem nas nossas terras), peixes e caça – paca, anta, jacaré, macacos, aves nativas. Bife, nem pensar. Vacas e bois dividiam a tração de moinhos com os negros e não eram abatidos. Galinhas eram caríssimas e usadas apenas para alimentar doentes e visitas ilustres

2 comentários:

  1. Parabéns, pelo estudo, em minha pesquisa genealógica, onde meus parentes, passaram pelo anos de 1700, fiquei curioso, como a sua vida.

  1. Eu preferiria falar Tupi! E aos portugueses não tenho nada a agradecer, pois só a escória deles é que desembarcou por aqui, usavam a terra, exploravam tudo e mandavam todas as riquezas para a sede da colônia. Somos o que somos hoje graças à nossa herança do jeito português (e burro) de ser.

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