Resenha do Danação no blog Only the Strong Survive

Olha lá, pessoal, 
Mais uma resenha do Danação, dessa vez no blog Only the Strong Survive, da Veronica Inamonico. Uma opinião mais que encorajadora para um autor de primeira viagem. Obrigado pelas palavras, Veronica. E que venham outras resenhas!


http://onlythestrong-survive.blogspot.com.br/2012/07/resenha-danacao-marcus-achiles.html

Como vencer uma mula-sem-cabeça?


Em pleno século XXI, é difícil pensar em uma pergunta mais absurda. Não existem mulas-sem-cabeça, boitatás, lobisomens ou qualquer ser cuja existência não possa ser provada pela ciência (assim pensam os céticos). Mas procure voltar um pouco no tempo, uns 300 anos, e tente pensar como um colono, em uma terra carregada de superstições quase medievais. No século XVIII, o homem comum tinha tanto medo de criaturas fantásticas como de mordidas de cobras ou emboscadas de índios. No Brasil de 1700, topar com um curupira em uma mata fechada era tão possível quanto ser farejado por uma onça faminta.

O Brasil de 1700 é o cenário de Danação, e o folclore é o pano de fundo desse romance.  É para essa terra de crendices que o leitor é transportado. E deverá compartilhar do mesmo medo do desconhecido que atormentava brancos, índios e negros sem distinção. Então, pense como um colono e se permita imaginar como responder a pergunta e sair de uma enrascada que podia custar sua vida.

Como vencer uma mula-sem-cabeça?
Esqueça os tiros. A mula é imune a balas. Você não está lidando com um animal, mas com uma mulher amaldiçoada por fazer sexo com um padre. E é essa danação que a transforma toda sexta-feira de madrugada em algo que mata quem encontra pela frente, sem dó ou remorso, até pouco antes do amanhecer. Se tiros não resolvem, quem sabe uma boa e afiada espada? Provavelmente, não. Provavelmente...

Só três coisas surtiam efeito: Primeiro, tirar algumas gotas de sangue com um alfinete virgem ou coisa parecida. Se você tivesse coragem para aproximar-se de um monstro enfurecido que cospe fogo protegido apenas por uma agulha essa poderia ser uma saída. Assim, a maldição seria quebrada.

A segunda opção é ainda pior. Algumas mulas traziam arreios presos à boca (eu sei, eu sei... se ela não tinha cabeça, como teria boca? Mais uma vez, você não está no século XXI...). O arreio flutuava em uma torrente de fogo, no lugar onde estaria sua cabeça, e bastava arrancá-lo para que a criatura voltasse a ser uma mulher. Mais arriscado que o alfinete.

Por sorte, havia uma última alternativa. Se o mesmo padre que a seduziu (ou vice-versa) rezasse uma oração em seu nome no início da missa, sua amante deixaria de se transformar em mula-sem-cabeça. Infelizmente, poucos padres devem ter se lembrado disso. Ou não se sentiam culpados pela falha e não viam motivos para arrepender-se.

Essa foi apenas uma pequena amostra do universo fantástico que tanto aterrorizou nossos antepassados. Volta e meia vou postar aqui no blog um pouso desse mundo tão esquecido. E sempre vou estar disposto a um bom papo com quem, como eu, curte nosso folcore.

PS: A mula-sem-cabeça é um mito vindo de Portugal, trazido pelos colonizadores a partir do descobrimento, mas não era avistada em todo o Brasil. No Maranhão e Pará o destino da amante do padre era outro: tornar-se a cumacanga. Às sextas-feiras a cabeça da mulher deixava seu corpo e, em chamas, passava a correr pelos campos. Difícil escolher a pior das maldições. 

Bienal de São Paulo

Vou estar na Bienal de São Paulo dia 19 de agosto, no stand da Editora Baraúna, lançando o Danação. Para quem quiser autografar seu exemplar, comprar para presentar um fã de literatura fantástica ou apenas bater um papo sobre folclore, litfan e afins.



Resenha do Danação e entrevista ao Policial da Biblioteca

Saiu uma resenha bem legal do Danação no blog Policial da Biblioteca. Valeu, Priscilla e Ednelson! E de quebra, uma entrevista. Confiram!


http://policialdabiblioteca.blogspot.com/2012/07/resenha-entrevista-danacao.html

Danação na 58ª Feira do Livro de PoA


A Câmara Rio-Grandense do Livro confirmou minha presença na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre, no dia 4 de novembro. De acordo com os organizadores, esse será um dia dedicado à literatura fantástica. Vou falar sobre o Danação (é claro...), folclore, litfan e sobre o que mais vier. Mais tarde eu pretendo divulgar a programação completa da Feira, com todas as datas e horários, com ênfase (é claro...) para o Danação. Expectativa melhor, impossível!

Resenha do Danação no blog do Thiago Tavares

Colegas,


Deem uma conferida na resenha que o Thiago Tavares fez do Danação para seu blog. Palavra de quem leu e se empolgou com a estória!


Por Thiago Tavares

No Brasil colonial, período do auge da crendice folclórica e no qual nosso país não passava de uma extensão maltratada de Portugal, é que esta obra se desdobra. A iniciar por um prólogo já tomado de boa dose de ação, os leitores são convidados a conhecer as páginas que relatam anos sombrios onde superstição e realidade misturavam-se com extrema facilidade. É através de Catarina, mulher viúva ainda detentora dos resquícios de uma beleza desgastada na dura tarefa de administrar sua humilde roça, ao lado de Rosário, sua única escrava, que Achiles nos concede o primeiro contato de sua ficção. Aparentemente uma existência feminina comum, mas que guarda um grande segredo consigo. Algo que se mantém oculto, sob uma espécie de hibernação, durante os sofridos dias da semana, mas que se inflama e se mostra com toda sua força fulgente nas madrugadas de sextas-feiras.
Corpos tisnados pelo fruto de uma união condenada são encontrados a cada nova manhã de sábado, gerando o caos e o medo nos habitantes de Taubaté que desconhecem o rosto do responsável direto por tamanha atrocidade. Um mistério que Gregório – altivo e experiente mestre de campo – necessita solucionar para alcançar uma almejada promoção e evitar a instalação do pandemônio na vila. Seus suspeitos pelos assassinatos são os bugres – em sua teoria, selvagens em protesto pela invasão dos lusitanos às suas terras – todavia, mesmo após perseguidos e sob severo suplício, nenhum índio sequer assume a autoria dos crimes que aterroriza a vila. Diante da dificuldade para solucionar o caso o militar se depara com sua autoridade e competência contestadas pela Casa de Câmara e pelo próprio povo que, como ratos acuados, desaparecem das ruas após o toque de recolher. Uma gente assustada que ignora a punição Divina lançada sobre um padre – atormentado pelo remorso – e sua concubina, castigada com uma terrível maldição. A perturbadora realidade, no entanto, é descoberta pelo forasteiro Diogo Durão de Meneses, o protagonista da trama, que acompanhado de dois escravos – João e Inácio – chega a Taubaté acreditando haver sido orientado até o local pelo espírito de Tiago, seu filho, morto acidentalmente pelas suas próprias mãos há quatro anos. Lembranças dolorosas que o envolvem em um misto de amargor e arrependimentos pela sinistra escolha que lhe acarretou não somente a separação da única prole, mas também da alma. Um pacto que jamais deveria haver firmado e que o torna uma criatura tão amaldiçoada quanto a que está destinado a encontrar nas imediações da vila de Taubaté.
 É no mar deste embate entre duas almas em danação que todo o enredo termina por desaguar. São 57 capítulos que, divididos de maneira sucinta, foram cuidadosamente lapidados pelo autor que se preocupou com detalhes minuciosos, concedendo-nos a oportunidade de mergulhar em tradições, hábitos, crenças e diálogos recheados de um linguajar típico de uma época antiga. Uma obra sagazmente montada ora apresentando detalhes sobre uma personagem, ora sobre outra, permitindo uma leitura onde os pormenores da vida de cada um deles seja revelado sem que as informações se tornem um fardo para o leitor.   
Julgo ainda importante mencionar que Danação é um romance de cunho fantástico que nos remete a reflexão através dos diversos trechos nos quais evidencia-se a facilidade do homem de ser corrompido seja pelo poder, riqueza ou mesmo pelos prazeres da carne. Um jovem padre atormentado pela luxúria, escravos e senhor notadamente a estreitar laços de amizade e o próprio Diabo a acompanhar Diogo (protagonista) transvestido da imagem da criatura que o jovem mais amou na vida, são alguns dos elementos que fazem deste livro uma ótima recomendação de leitura.
Vale ressaltar por fim que Danação é o primeiro volume de um projeto onde o autor pretende conduzir Diogo numa jornada pelo interior de uma colônia repleta de criaturas folclóricas. Uma informação que deixou-me com grande expectativa e que certamente deixará aqueles que, assim como eu, se atreveram a conhecer as páginas deste primeiro romance de Marcus Achiles. 

Blogs, blogs, blogs...


Um mês e pouquinho com o blog do Danação no ar e eu gostaria de agradecer aos blogueiros que deram espaço para o livro. Tem um boa lista aí embaixo. Para um começo, está bom demais. Animador também é entrar nos blogs e ler comentários aqui e ali. A lista vai crescer. Devagarinho, devagarinho.


 
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